Atentado no Afeganistão mata seis militares italianos e 10 civis
Um ataque a um comboio militar italiano em Cabul nesta quinta-feira matou seis soldados e 10 civis afegãos, tornando-se o quarto maior atentado na capital em cinco semanas.
A explosão, que ocorreu à s 12h local (4h30m de BrasÃlia) quando um homem-bomba lançou seu veÃculo contra o comboio, destruiu janelas de edifÃcios que estavam a cerca de um quilômetro do carro e sacudiu casas e escritórios da região.
O Talibã reivindicou a autoria do ataque, afirmando em um comunicado um dos extremistas participou do atentado. De acordo com autoridades, além dos mortos há 55 feridos.
Ao ser informado sobre o atentado, o Papa Bento XVI disse estar próximo “à s vitimas, à s famÃlias e a todas as pessoas envolvidas”. Os sentimentos do PontÃfice foram expressos pelo porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi. “O que fere mais é o fato de que esta violência continue justamente contra pessoas que estão compromissadas com a paz”, declarou.
“Estamos próximos com a oração à s vitimas, aos familiares, aos feridos e a todas as pessoas envolvidas neste dramático acontecimento e desejamos que, no final, este sangue possa ser substituÃdo pela paz pela qual tantas pessoas estão comprometidas e estão doando a sua vida”, disse Lombardi em nome de Bento XVI.
O ministro da Defesa da Itália, Ignazio La Russa, que nesta quinta-feira compareceu ao Senado para esclarecer detalhes aos legisladores e à nação sobre o atentado que matou seis italianos no Afeganistão, condenou a ação de “covardes” e “infames” contra as forças de seu paÃs.
“Em um momento doloroso como este, quero rapidamente, antes de qualquer declaração, vir no Parlamento para informar aos parlamentares e ao paÃs as notÃcias provenientes do Afeganistão”, disse La Russa ao iniciar seu pronunciamento.
O ministro, que disse estar em contato constante com o chefe do Estado-Maior da Defesa, Vincenzo Camporini, também expressou sua “profunda dor pela perda de seis militares e grande solidariedade aos quatro feridos”.
“Aos infames e covardes agressores” que realizaram este ataque, “declaramos que não iremos parar (…). Esta missão continuará”, declarou o titular da pasta da Defesa, que ainda comparecerá hoje à Câmara dos Deputados com informações precisas, após conversar com o comando italiano no paÃs ocupado.
Mas lÃderes de partidos italianos começaram a questionar a presença de tropas italianas no paÃs. Com as mortes desta quarta-feira, chegam a 21 as baixas italianas no paÃs ocupado.
Ao falar sobre o ataque, o presidente da Comissão das Relações Externas da Câmara dos Deputados da Itália, Stefano Stefani, da Liga Norte, disse que “é necessário estabelecer uma eficaz estratégia de saÃda do Afeganistão (…). É preciso começar a pensar numa saÃda estratégica, não sozinhos, mas junto com a comunidade internacional”.
- Há poucos meses da morte do jovem soldado italiano Alessandro Di Lisio, o cenário não muda, mais jovens mortos. Os números deixam claro: são 21 as vÃtimas italianas que, de 2004 até hoje, sacrificaram as suas vidas em território afegão. É um fato dramático – disse Stefani.
Di Lisio, oficial italiano de 25 anos, morreu em um atentado no dia 14 de julho, perto da cidade de Farah.
Por sua vez, o partido de oposição Itália dos Valores (IDV) pediu ao governo italiano que realize uma consulta “para estabelecer tempos e formas para uma estratégia de saÃda” do paÃs ocupado.
- Expressamos em nome dos grupos parlamentares da Itália dos Valores o nosso grande pesar as famÃlias dos soldados italianos vitimas do vil atentado de hoje no Afeganistão e a nossa proximidade de sua dor -disseram ainda o lÃder do IDV, Antonio Di Pietro, e os lÃderes do partido na Câmara, Massimo Donadi, e no Senado, Felice Belisario.
Contudo, o ministro do Interior, Roberto Maroni, afirmou que não existe nenhuma hipótese de retirada da missão italiana no Afeganistão, “porque seria uma rendição à lógica do terrorismo”.
- É preciso lembrar que o governo espanhol decidiu há algumas semanas de aumentar seus efetivos no Afeganistão. Em qualquer caso a Itália não pode deixar de se mover de acordo com os aliados e os órgãos internacionais – afirmou o ministro.
As tropas da Itália, atualmente com cerca de 2.800 homens, estão no Afeganistão desde 2004, concentradas principalmente nas cidades de Herat e Cabul. Os soldados mortos hoje faziam parte do 186º Regimento de Paraquedistas Folgore.





